A experiência de uma estudante durante o projeto missionário da Cru

Entre os dias 4 a 31 de janeiro de 2018, participei do projeto missionário de verão da Cru Campus, na região do Vale do São Francisco, especificamente nas cidades de Petrolina/PE e Juazeiro/BA, junto com estudantes e missionários de vários estados do país. “Fluir do Espírito” foi o tema do projeto, o qual encontra-se baseado em João 7:38: “Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva“. Em conformidade com o tema, estudamos bastante o livro de Atos, nas aulas e também nos devocionais, uma vez que este livro evidencia o fluir do Espírito Santo na Igreja primitiva, realizando obras extraordinárias por meio do agir dEle. Diante disso, compreendendo que o querer e o efetuar são do Senhor, entendemos que Deus já tinha planejado o Projeto Vale como instrumento de transformação nos campi da UNIVASF (Universidade Federal do Vale do São Francisco), da mesma forma que Ele havia chamado cada um de nós para participar do que Ele faria através de nossas vidas.

O projeto teve quatro semanas, sendo que tivemos treinamentos durante uma semana e meia. Já as semanas restantes foram destin adas ao campus e a outras atividades externas. Ademais, tínhamos programações fixas durante as quatro semanas, como os devocionais e o tempos a sós com Deus. Nos dias de treinamento, tínhamos aulas referentes ao evangelismo no contexto da universidade; desde aulas mais introdutórias (o que é um movimento espiritual, como iniciar um movimento, como conectar pessoas a Jesus), até aulas mais práticas, em que conhecemos ferramentas evangelísticas e aprendemos a utilizá-las. Nas semanas destinadas ao campus, por sua vez, tínhamos a missão de aplicar tudo o que havíamos aprendido nos treinamentos, de acordo com a realidade de cada campi da UNIVASF, tendo sempre em mente que: O êxito ao testemunhar consiste simplesmente em compartilhar Cristo no poder do Espírito Santo deixando os resultados com Deus, como já dizia Bill Bright, fundador da Cru.

Minha trajetória no projeto

Feito o panorama geral acerca do projeto, gostaria de relatar como foi a minha vivência nesse mês, incluindo as alegrias, as dificuldades, os testemunhos, os aprendizados… Ser breve provavelmente não será possível, mas convido-lhe a dedicar alguns minutos à leitura desse texto, que poderá ser edificante para você, pela graça de Deus.

À princípio, o projeto foi bastante difícil para mim. Era um lugar novo, cheio de pessoas que eu não conhecia, e, sinceramente, eu não queria me permitir a tomar a iniciativa e criar vínculos, de modo que optei por “ficar na minha” e ignorar o ambiente de comunhão que estava à minha volta. Sendo assim, acordava bem cedo, seguia a rotina à risca e depois que a programação do dia acabava, eu me direcionava logo ao meu quarto, fugindo assim de qualquer oportunidade de socialização. O pior disso é que eu achava que estava tudo bem, até porque eu estava em um projeto missionário, estudando os materiais, lendo a bíblia, seguindo as regras. Até que o Espírito Santo, mediante à Sua formidável misericórdia, começou a me confrontar. Passada uma semana, fizemos um evangelismo no centro de Juazeiro/BA. Fomos divididos em duplas, visando o auxílio mútuo. Eu estava ansiosa, afinal, queria colocar em prática tudo o que tinha aprendido na semana, em termos dos conteúdos vistos nas aulas.

Porém, o mais importante eu não sabia fazer: me conectar às pessoas. Isso tornou-se evidente quando minha dupla e eu fomos evangelizar a primeira pessoa. Eu logo iniciei a conversa, na pressa de falar sobre as 4 Leis Espirituais para ela, sem me preocupar, ao menos, em me conectar a ela. Dessa forma, falei-lhe sobre o plano de salvação. Quando terminei já estava analisando, olhando à nossa volta a próxima pessoa que poderíamos abordar. Foi aí que o Espírito Santo usou a vida da minha dupla para falar ao meu coração. Vi que ele começou a fazer perguntas sobre a vida da pessoa que estávamos evangelizando. Mas não era somente isso, ele permanecia atento a cada palavra dita, importando-se com os sentimentos dela. Nesse instante, eu notei a conversa seguindo de maneira diferente, como se tivesse tirado um peso enorme do nosso meio, que impedia a conversa de fluir. Ao contemplar o que estava acontecendo, o Espírito Santo me confrontava, admoestando-me que se, de fato, eu quisesse compartilhar o Seu Evangelho, eu precisava quebrar os muros que me isolavam, os quais também me impediam de conectar-me às pessoas. Todavia, sabia que sozinha não conseguiria, então orei, dizendo que não queria sair do projeto da mesma forma que entrei, mas sim que eu queria deixar o meu egocentrismo de lado e reconhecer a importância de viver em comunidade, amando verdadeiramente as pessoas e provando também desse amor durante o projeto.

Evangelismo na cidade de Juazeiro/BA em parceria com a Igreja Batista Central de Juazeiro.

A partir desse dia, iniciou-se uma nova fase no projeto para mim. Deus começou a ressignificar meus conceitos sobre amor, comunhão e cuidado, usando várias situações. No dia do meu aniversário, 22 de janeiro, minhas amigas compraram várias comidinhas que eu podia comer (já que sou vegana), além de terem escolhido um presente muito especial para mim. Não obstante, lembro-me que já era noite quando fomos comemorar, e começaram a chegar várias pessoas, as quais demonstraram muito amor para comigo, expresso em orações, palavras e atitudes. Em toda aquela situação, Deus me mostrava o quanto eu era mais feliz em comunidade, bem como o quanto Seu amor era manifestado na comunhão existente entre Seus filhos.

Isso ficou ainda mais nítido pra mim quando iniciamos as atividades nos campi. Eu integrei a equipe que ficaria responsável pelo Centro de Ciências Agrárias da UNIVASF. O campus era muito afastado da cidade e os prédios ficavam longe uns dos outros. Todavia, foi ali, naquela realidade aparentemente assustadora, que Deus operou maravilhas, tanto na vida dos estudantes de lá, quanto em nossas vidas. Deus nos deu o privilégio de compartilhar o evangelho, ver pessoas compreendendo seu estado de separação de Deus, e com isso, reconhecendo Jesus como seu único e suficiente Salvador.

Evangelizando estudantes do Centro de Ciências Agrárias da UNIVASF.

Paralelamente aos evangelismos, trabalhamos com os cristãos que já integravam o movimento no Centro de Ciências Agrárias, tendo como objetivo alinhar a visão deles em relação ao DNA do movimento – ganhar, edificar e enviar -, ajudando-os a compreender a importância de não somente se reunir no campus, mas também a de evangelizar e discipular, obedecendo, portanto, a ordenança que Jesus nos deixou em Mateus 28:18-20.

No meu caso, apesar de também ter evangelizado, fiquei responsáve por acompanhar as cristãs que já faziam parte do movimento do CCA. Nessa função, Deus me desafiaria a me conectar com elas, a criar vínculos e a amá-las verdadeiramente. Sendo assim, o primeiro passo foi me comunicar com elas, tendo o cuidado de lembrar de enviar mensagem, de marcar os encontros no campus e etc. Enquanto fazia isso, notava que eu encarava isso não como um fardo, mas sim que desempenhava essa tarefa com prazer. Eu sentia que estava expressando o cuidado que Deus tem por mim a elas, e bem sei que tal coisa foi obra do Espírito Santo em mim.

Ademais, os nossos encontros no campus eram muito edificantes. Lembro-me de como eu ficava maravilhada ao escutar cada uma delas, suas histórias de vida, bem como seus testemunhos acerca do que Deus estava fazendo no CCA. Lembro-me ainda em como o Espírito Santo ministrava ao meu coração sobre amor ao próximo, enquanto eu vivia experiências incríveis com elas. Além dessas conversas, nós saíamos para evangelizar, falávamos sobre nossas preocupações, e desse modo, cultivávamos amizades. Cada momento desses foi muito marcante para mim, o que me faz recordar, inclusive, o quão difícil foi dar tchau… Eu senti que enfim, pela graça do Espírito Santo, eu havia conseguido me conectar às pessoas.

O fato é que nesse mês de projeto, pude ver o Senhor quebrando os muros à minha volta, que eu insistia em manter. Ele me presenteou com amizades que me ajudaram a cicatrizar feridas antigas. Ele me ensinou que na família do Senhor não existe ninguém tão difícil que não mereça ser amado. Aprendi que não posso ser feliz sozinha e que o corpo de Cristo, mediante o Seu agir, me faz mais forte.

Voltei pra casa com o coração apertado, porém grata a Deus pela Sua graça, ao aperfeiçoar Seu poder em minha fraqueza (2 Coríntios 12:9). Agora, já em casa, penso em quais serão os próximos passos, lembrando-me logo dos aprendizados que tive durante o mês de janeiro. Como passos claros, buscarei espelhar Jesus e o Seu evangelho, amando as pessoas, sendo intencional e me conectando a elas com sinceridade, amor e cuidado. Além disso, quero viver uma vida de evangelismo, testemunhando sobre Jesus por onde eu for, tendo sempre a certeza de que Ele tem todo o poder, mas que mesmo assim Ele me concede o privilégio de participar da Sua extraordinária obra.

Não sei por quais caminhos Deus me conduz, mas conheço bem meu guia” – Martinho Lutero

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Rayanne Martins, estudante de Pedagogia na UFC (Universidade Federal do Ceará)

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